Toxina botulínica falsificada: o que é fato, o que é erro e o que importa
Analisamos a reportagem, consultamos a Anvisa e explicamos os riscos reais da falsificação
Uma reportagem exibida pelo SBT News alertou para riscos relacionados ao uso de toxina botulínica, citando casos de botulismo, apreensão de produtos falsificados e práticas irregulares no mercado estético. Confira a reportagem na íntegra:
Na mesma matéria aborda-se:
produto falsificado,
uso irregular (inclusive com produto original),
aumento de casos de botulismo associados ao procedimento,
revendedores,
e diluição excessiva como forma de enganar pacientes.
Para quem acompanha a reportagem, tudo isso pode parecer a mesma coisa. Mas não é.
O que diz a fonte oficial
Segundo a ANVISA, foi determinada a apreensão do lote P08190 da toxina botulínica Dysport, bem como a proibição da sua comercialização, distribuição e uso em todo o território nacional.
A medida se aplica exclusivamente a esse lote.
A empresa detentora do registro do produto no Brasil, a Beaufour Ipsen Farmacêutica Ltda., informou que:
as unidades do lote citado não foram produzidas por ela, caracterizando falsificação;
o produto falsificado apresenta diferenças visuais no rótulo e no frasco em relação ao produto original.
Alguns pontos importantes tratados de forma imprecisa na reportagem:
A Anvisa não “apreende” produtos diretamente; ela determina a apreensão e o recolhimento, mas a execução dessas medidas ocorre por meio das vigilâncias sanitárias estaduais e municipais.
Casos de botulismo podem estar relacionados ao uso indevido da toxina, inclusive quando o produto é original.
O uso do termo “Botox” como sinônimo de toxina botulínica é comum na mídia, mas tecnicamente inadequado, já que Botox é uma marca e o fato ocorreu com a marca Dysport.
Essas imprecisões acabam misturando causas diferentes e gerando confusão sobre onde realmente está o risco.
Um alerta que merece atenção
Um ponto pouco explorado é que o lote citado ainda pode estar em circulação. Isso significa que unidades desse produto falsificado provavelmente continuam sendo oferecidas no mercado.
Esse cenário reforça a importância da rastreabilidade e da responsabilidade de quem compra e utiliza essas substâncias em pacientes. É fundamental diferenciar desconhecimento técnico de escolha consciente.
Quando falamos de compra de toxina botulínica por valores muito abaixo do mercado e fora dos canais oficiais, não estamos falando de acaso. Profissionais de saúde têm obrigação técnica e ética de verificar a procedência dos produtos que utilizam. Preços incompatíveis com a realidade do mercado são um sinal claro de alerta. Ignorá-los não é descuido, é omissão.
Ainda assim, alguns optam por seguir adiante:
para cobrar mais barato e atrair pacientes, ou
para manter preços de mercado e apenas aumentar sua margem de lucro.
Essa decisão transfere o risco para quem está na ponta mais vulnerável da relação: o paciente.
O ponto central que não foi explicado
Quando falamos em produto falsificado, os riscos reais são:
Não há garantia de que aquilo é realmente toxina botulínica. Pode ser outra substância, estar contaminada, vencida, instável ou totalmente diferente do declarado.
Não existe controle confiável da dose. Isso pode resultar em subdose (sem efeito) ou superdose, com risco de complicações graves.
Os excipientes são desconhecidos ou inadequados. Eles são fundamentais para a estabilidade, segurança e potência do produto.
Não há rastreabilidade. Não se sabe a origem, o lote, nem é possível investigar ou acompanhar eventuais reações.
Não se sabe como foi produzido, transportado ou armazenado. A toxina botulínica é extremamente sensível, e falhas nesses processos comprometem diretamente sua segurança e eficácia.
Na prática, isso significa não saber o que está sendo injetado no próprio corpo.
É exatamente isso que torna a falsificação uma prática criminosa e um problema grave de saúde pública.
Onde o ANB entra
Nossa metodologia de curadoria avalia criteriosamente esses fatores antes de selecionar um médico parceiro: histórico de compra, adoção de boas práticas clínicas e compromisso contínuo com o uso de produtos regulamentados e de procedência direta dos fabricantes e canais oficiais — um cuidado compartilhado pela maior parte dos médicos especialistas.
Informar é importante. Corrigir erros é necessário. Proteger o paciente é inegociável.
Quem cuida de você quando você não está olhando? No ANB, alguém sempre está.
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