Uma nova toxina chegou ao Brasil. O que você precisa saber sobre a Letybo?
Estudos existem. Aprovação também. Mas resultados consistentes dependem de algo que não vem na embalagem.
A toxina botulínica Letybo (letibotulinumtoxinA), desenvolvida pela farmacêutica sul-coreana Hugel e lançada no mercado asiático na segunda metade da década de 2010, passou a ser comercializada oficialmente no Brasil pela Derma Dream Brasil, ampliando o portfólio de toxinas disponíveis no mercado estético nacional.
A Letybo possui aprovação pelo FDA (Americano) e certificação CE (Europeia), o que indica conformidade com os padrões técnicos e de segurança exigidos por esses órgãos e sustentam sua presença em mercados relevantes da Ásia, Europa e Américas, incluindo os Estados Unidos e países europeus com alto nível regulatório.
O lançamento ocorre em um contexto de alta maturidade do mercado brasileiro, onde a escolha da toxina envolve não apenas registro regulatório, mas comportamento clínico, previsibilidade e domínio técnico.
Indicações
De acordo com a bula, a Letybo possui indicações estéticas aprovadas para o tratamento temporário de:
Linhas glabelares moderadas a severas, associadas à atividade dos músculos corrugadores e/ou prócero, em pacientes adultos.
Linhas cantais laterais (pés de galinha) moderadas a severas, associadas à atividade do músculo orbicular dos olhos, em pacientes adultos.
Essas indicações refletem os usos estéticos formalmente avaliados e aprovados nos estudos que embasaram o registro do produto, devendo sempre ser respeitadas as orientações de bula, técnica adequada e avaliação individualizada do paciente.
O que os estudos mostram até agora
Os dados clínicos que embasam a Letybo incluem estudos controlados, randomizados, duplo-cegos e comparativos, com resultados apresentados por indicação.
Linhas glabelares (cara de bravo)
Para linhas faciais glabelares, a bula descreve um estudo clínico com cerca de 270 pacientes, com objetivo de melhora de rugas glabelares moderadas a severas. O texto reporta resultado satisfatório em cerca de 90% dos pacientes avaliados.
Linhas cantais laterais (pés de galinha)
Para linhas cantais laterais, a bula descreve um estudo multicêntrico, randomizado, duplo-cego, com controle ativo envolvendo 240 adultos com rugas moderadas a severas.
No desfecho primário, a taxa de melhora (análise FAS) foi:
69,75% no grupo Letybo
68,33% no grupo controle ativo
A diferença foi de 1,41% e o limite inferior do IC de 97,5% excedeu a margem de não inferioridade definida no estudo, sustentando resultado de não inferioridade.
Em termos de segurança comparativa nesse estudo, a bula relata:
eventos adversos em 13,45% no grupo Letybo e 18,18% no grupo controle
eventos adversos sérios em 0,84% versus 0,83%
sem relatos de reação medicamentosa adversa séria
eventos locais não sérios reportados em baixa frequência
Esses resultados sustentam eficácia e segurança dentro das indicações estudadas e aprovadas em bula. Ainda assim, estudos controlados não substituem a prática clínica diária, especialmente quando se introduz um produto novo na rotina.
E quanto tempo dura o efeito, segundo os estudos?
A bula também descreve o padrão temporal observado:
início dos efeitos em aproximadamente 3 dias
pico em 1 a 2 semanas
duração média relatada de 3 a 4 meses
É importante destacar que essa duração reflete o comportamento observado em estudos controlados. Na prática clínica, o tempo de efeito pode variar de pessoa para pessoa, de acordo com fatores como metabolismo, força muscular, hábitos de vida, técnica e dose aplicada pelo profissional.
Curva de aprendizado: um ponto central (e inegociável)
Este é um dos aspectos mais importantes. Como ocorre com todas as toxinas botulínicas, as unidades de dosagem não são diretamente comparáveis entre diferentes produtos. Diferenças sutis de:
Difusão
Potência percebida
Tempo de início
Duração clínica
exigem que o profissional tenha tempo, volume de casos e acompanhamento dos resultados para “pegar mão” do produto.
O que mais importa para o paciente
Para o paciente, a discussão não deve girar em torno de “qual toxina é melhor”, mas sim:
Quem é o profissional
Qual a experiência dele com o procedimento
Qual a familiaridade técnica com a toxina utilizada
Um ponto essencial: Quanto maior a experiência do profissional com toxina botulínica, mais rapidamente ele entende o comportamento de uma nova toxina.
Ou seja:
Profissionais experientes tendem a adaptar técnica, diluição e estratégia com mais segurança e rapidez
A novidade exige ainda mais critério — não menos
Encerramento ANB News
A chegada da Letybo amplia o leque de opções no mercado brasileiro. Mas, na estética, opção não é sinônimo de decisão automática.
Resultados consistentes nascem da combinação entre:
Produto regularizado
Técnica apurada
Tempo de observação
Experiência real do profissional
Na estética, o novo pode ser promissor. Mas a confiança continua sendo construída caso a caso.
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